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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

As eleições e as obras públicas

Já aqui ilustrámos várias vezes as diferentes situações que por vezes nos fazem lembrar Portugal, mesmo que num passado recente... mas este post será inteiramente dedicado à relação entre obras públicas e eleições.

No dia 23 de Junho realizaram-se eleições legislativas para o Parlamento Albanês, e como não poderia deixar de ser foram bastas as obras públicas dentro e fora de Tirana que se fizeram por aqui nos últimos meses para que os "votozinhos" quando contados viessem a favorecer os beneméritos que tamanho bem almejavam para as suas populações. A fase aqui ainda não é das auto-estradas, pavilhões gimno-desportivos ou outras infraestruturas de elevado interesse e utilidade pública, suportados por parceiras público-privadas de elevado interesse nacional, mas sim as necessárias asfaltagens de kms e kms de estradas não concluídas ou, só mesmo, de caminhos em terra batida que já mereciam um piso melhor.

A nossa rua não escapou a esta grande melhoria conduzida pela campanha eleitoral! Ainda em Janeiro quando regressámos a Tirana, apercebe-mo-nos que várias ruas do nosso bairro estavam a ser intervencionadas e que as obras previam-se concluídas por volta da data das eleições (seis meses previstos para renovar 6 quarteirões, portanto). A Rruga Pjeter Bogdani - bastante necessitada, aliás - lá estava incluída nesse grande projeto de renovação urbana.



Todas as semanas os trabalhos avançavam nas ruas adjacentes, e impacientes íamo-nos questionando para quando a nossa vez. Os acessos à garagem estariam cortados, o estaleiro instalar-se-ia... Enfim, só boas notícias!!

No início de Maio depois da nossa ida à Croácia, deparámo-nos com uma Notifikimi mesmo à nossa porta dizendo que os trabalhos iriam começar nessa semana. Duas semanas depois o estacionamento mantinha-se, das máquinas nem sinal, e tudo se desenrolava como habitualmente no dia-a dia do bloku.

Exatamente na semana anterior ao aniversário do Álvaro, eis que as autoridades conseguiram fechar a rua, tirar todos os carros e remover todo o pavimento, fechando todos os acessos...

As primeiras manobras

Bela pontaria! Exatamente nas semanas em que necessitávamos de maior mobilidade automobilística devido à vinda dos nossos visitantes. Enfim, lá nos arranjámos!!! Eu fiz vários amigos "arrumadores" que até me garantiam lugar à chegada do trabalho e as coisas foram avançando.

O registo fotográfico mostra o esforço da classe operária ao serviço do bem comum... Mas, operários eram poucos, ferramentas ainda menos e máquinas pesadas só para rebentar com tudo e para colocar o asfalto final.

Progressos à vista..

Vale tudo... até o equilibrismo foi praticado
Na verdade, as melhorias são significativas - candeeiros novos, passeios novos, algum planeamento e tentativa de controlo do estacionamento selvagem, passadeiras e árvores plantadas - não, sem pelo caminho, termos ficado três vezes sem comunicações porque as máquinas arrasavam com todos os fios que encontravam pelo caminho, e por ter exigido um esforço acrescido de não cair em nenhum dos muitos buracos, tal era a fantástica sinalização de segurança e os acessos reforçados...

A pequena régua de madeira foi o único acesso à escola por muitos dias

O que não conseguiram foi que votássemos no Sali Berisha, mas também parece que não fomos os únicos, já que o partido da oposição (o da rosa, não sei de vos diz alguma coisa) saiu vencedor do último embate eleitoral. Viva a democracia que a pouco e pouco se vai instalando por estas bandas!!!

Finalmente... o asfalto!!!

O merecido descanso... com quase 40º C à sombra

Após três meses de obras lá conseguimos recuperar a normalidade nos acesos e na circulação...

domingo, 29 de abril de 2012

Um admirável mundo novo

É incrível mas já cá estamos há uma semana e isto de blogar nada!
Vou tentar começar a ser mais regular nestes comentários e por isso este vai ser um pouco mais longo para recuperar o ritmo.
Vamos por tópicos:
Trânsito/carros em Tirana
A população local é muito simpática. Quem me conhece, como alguns de vós há mais de 30 anos, sabe que, por norma, sou um tipo simpático e até com alguma popularidade, mas aqui estou melhor do que em casa. Já todos me saúdam quando vou na rua! Até eu fico espantado com a quantidade de pessoas que me fala, me acenam ou até buzinam para me cumprimentar. O que acho estranho é que isto acontece nas situações mais comuns como quando paro o carro quando o semáforo está vermelho, ou mesmo quando paro numa passadeira para deixar passar os peões (até estes ficam admirados!!) e já comecei a ouvir comentários que me parecem ser do género ‘olhem lá vem o nosso amigo Zé de Portugal, acenem-lhe ’, ou talvez ‘É pá, não pares pois sabemos que tens pressa’, coisas simples deste género (embora ainda não domine a língua local).
Agora já percebi porque é que as grandes marcas de automóveis (e não só) são tão ricas e produzem tantos produtos topo de gama: descobriram a Albânia!
Como estou no tópico ligado ao trânsito posso confirmar que nunca vi em nenhuma capital europeia, e conheço bastantes, um parque automóvel tão evoluído. É verdade que há alguns carros comuns como o Opel Corsa que conduzo, ou mesmo um Renault 5 que vi ontem, ou também uns Dacia ou mesmo uns Aveo que por aí andam (principalmente, com os polícias municipais) mas penso que na sua maioria são todos alugados por estrangeiros como nós. Só no bairro mais comercial da cidade (cerca de 2 km2) já vi a circular na mesma altura, mais de 30 Jeep da BMW (X5 ou superior), 15 Mercedes de 350SL para cima, vários Audi, Chevrolet, Porsche, Nissan, etc., etc. No meio destas ‘machinas’ (em Albanês!) que circulam em qualquer faixa, em qualquer sentido (de preferência em contramão!) o que interessa é ver quem chega primeiro ao sinal vermelho para virar à esquerda ou à direita, preferencialmente para onde for proibido, lá circulam uns quantos seres (de ambos os sexos e de todas as idades) de moto, em bicicletas, triciclos de vendedores ambulantes, de patins em linha ou mesmo só a correr. É uma festa. Parece uma espécie de toureio automobilístico. Felizmente eu habituo-me depressa e depois das experiências de condução que já tive em Luanda, Maputo, Brasil, Santiago do Chile ou mesmo na 2ª Circular, isto é canja. A Carmo é que anda um pouco calada e vejo-a muitas vezes a tapar os olhos, principalmente nas rotundas e em alguns cruzamentos, mas penso que deve ser só por não ter trazido óculos escuros.
O que é curioso é que ainda não vi nenhuma loja de automóveis… Há dias perguntei onde poderia comprar um carro e, para não parecer pelintra, falei numa cilindrada jeitosa. O meu interlocutor disse-me que tinha um primo que conhecia um fulano que era amigo de um familiar de alguém que me arranjava o que eu quisesse. Calculo que não vou ter necessidade de trazer o meu Peugeot, até porque ficaria a destoar aqui pois o único carro que já vi com riscos e alguma poeira é precisamente o Opel Corsa 1.3 que a Hertz me alugou. A papelada foi rápida de tratar e eles foram muito eficientes, o que demorou mais foi a vistoria ao carro antes da entrega pois o funcionário teve que assinalar todos os riscos e pequenos toques que o veículo apresentava (parei de contar aos 15) e estava a ver que era necessário uma segunda folha só para assinalar todos os problemas detetados.
(- João, já procurei o teu Strackar mas ainda não o encontrei. Não deve ter vindo para cá!)
As estradas e ruas são muito semelhantes às de Portugal embora ainda não tenha encontrado nenhuma SCUT. Os buracos e a falta de sinalização horizontal são tal e qual as daí (mas aparecem com mais frequência e talvez mais profundidade – os buracos, claro!).

Autoestradas e vias rápidas
Hoje resolvemos ir até à costa e fomos uns 30 km por uma autoestrada razoável embora com alguns peões e ciclistas nas bermas (até vimos várias casas com entrada privativa para a autoestrada – coisa de privilegiados!!). Quando esta acabou passámos para estradas mais parecidas com as da zona centro do nosso país (ouve troços que me fizeram lembrar a zona da Mama Rosa ou Bustos.
Quando íamos ao Rafael ou mesmo em Aguada de Baixo ao Vidal. Depois lá tivemos uns quantos km de verdadeira picada até chegar ao Adriático com uma praia enorme mas bastante suja de detritos marítimos e com uma urbanização de vivendas e prédios baixos, tipo Galé.
Chegados à urbanização e seguindo as indicações da existência de um bom restaurante de peixe fresco, encontrámos no tal condomínio fechado o Restaurante Juvenilja Al Mare onde comemos um delicioso peixe galo no forno à bela maneira mediterrânica. Daremos destaque à gastronomia local e aos restaurantes que já visitámos num próximo post.
Até breve!